O Ibovespa acumulou queda superior a 18% na semana seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais. Alta do dólar, disparada dos juros futuros e desvalorização da Bolsa ocorreram juntas. O movimento mais intenso ocorreu na segunda-feira (26), quando o principal índice recuou quase 14%.
O circuit breaker, mecanismo de interrupção temporária das negociações, foi acionado pela queda acentuada. Nos pregões seguintes, o Ibovespa operou na faixa dos 167 mil a 169 mil pontos. Apesar da correção, o índice ainda registra valorização de aproximadamente 4% no ano.
De 23 a 30 de outubro, o valor de mercado das companhias caiu em R$ 963 bilhões. A retração do valor de mercado foi de 16,94%, segundo levantamento da Elos Ayta. O montante perdido praticamente anulou os R$ 972 bilhões adicionados ao valor de mercado das empresas.
As maiores perdas concentraram-se em varejo, mercado imobiliário, bancos e small caps. Petrobras, Vale e exportadoras de commodities amorteceram parcialmente o movimento. Preocupações com o crescimento dos lucros aumentaram devido a resultados de grandes empresas de tecnologia.
Opinião pessoal de Pedro Souza
A opinião a seguir é pessoal de Pedro Souza e não representa a opinião do MundoTrader.
Considero acertado que a queda do Ibovespa reflete o medo real de juros altos e câmbio forte sobre exportadores. Empresas que ganham em dólar pagarão mais caro por importações, enquanto lucros locais podem sofrer com a desvalorização. A volatilidade atual depende da execução fiscal futura, pois incertezas políticas elevam o custo do capital para todos os setores. Prefiro acompanhar a evolução dos juros futuros, já que eles ditam diretamente se a recuperação será rápida ou lenta.
