A balança comercial brasileira caminha para atingir em 2026 o segundo maior superávit da história. Choques externos decorrentes de tarifas dos Estados Unidos e guerra no Oriente Médio não alteraram a resiliência do saldo comercial. Oscilações no preço do barril do petróleo contribuíram significativamente para os bons números das exportações brasileiras neste ano.

Uma redução relativa do preço do petróleo no mês passado não impediu o crescimento das exportações brasileiras. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reverteu duas vezes a projeção do superávit da balança comercial. A primeira estimativa de abril previa um superávit de 72,1 bilhões de dólares para a balança comercial brasileira. Em julho, a projeção subiu para 90 bilhões de dólares devido à alta do petróleo tipo Brent.

No início de outubro, a projeção caiu para 84,4 bilhões de dólares influenciada pela redução no preço do barril. Estão projetados 382,5 bilhões de dólares em exportações que representam um aumento de 9,8% em relação ao ano passado. As importações projetadas somam 298,1 bilhões de dólares, valor 6,4% maior do que em 2025. O superávit comercial de 2023 foi de 98,9 bilhões de dólares e permanece o maior da história registrada.

Se confirmado, o saldo projetado será 24,0% maior do que o obtido em 2025 com superávit de 68,1 bilhões de dólares. Dados de janeiro até a terceira semana de outubro acumulam um superávit comercial de 68,4 bilhões de dólares no ano. Nesses dados recentes, as exportações somaram 305,7 bilhões de dólares e as importações 237,3 bilhões de dólares.

Opinião pessoal de

A opinião a seguir é pessoal de Patrícia Pereira e não representa a opinião do MundoTrader.

Considero acertado que a resiliência das exportações brasileiras demonstra uma robustez real frente aos choques externos globais. O mecanismo de oscilação no preço do petróleo explica o crescimento, mas não garante resultados futuros sem novas condições. A preferência é acompanhar a execução das exportações, pois ela reflete diretamente a capacidade de geração de divisas da economia. Vejo como prudente observar se esse superávit sustentado persistirá diante de eventuais variações nos preços internacionais de commodities.