Os acionistas da Raízen aprovaram medidas societárias nesta sexta-feira (30) para dividir o grupo em duas empresas listadas. A empresa iniciará a busca de um investidor para o negócio de distribuição de combustíveis após a aprovação das medidas. Nos dois casos, foram eleitos conselhos futuros onde a maioria dos assentos pertence aos credores.
Em julho foi homologado o plano de recuperação extrajudicial de R$ 61,4 bilhões que inclui a reorganização. A Raízen S.A. ficará com a distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A Raízen Energia concentrará produção e comercialização de açúcar, etanol e bioenergia. A busca de um parceiro para a distribuição foi antecipada pela Bloomberg na quinta-feira (29).
Credores receberão mais de 80% do capital após a conversão das dívidas em ações. Uma eventual venda de participação na distribuidora ocorrerá depois da etapa de conversão de dívidas. A Raízen informou que iniciará trabalhos preparatórios para avaliar um eventual investimento na distribuição. Lorival Luz foi indicado para liderar a distribuição de combustíveis e lubrificantes da empresa.
Geovane Consul ficará à frente das operações de açúcar, etanol e bioenergia do grupo. Cada conselho terá sete integrantes, sendo quatro indicados pelos credores. Samuel Aguirre foi eleito para liderar o colegiado da distribuidora de combustíveis. Julio Piza ocupará a função de presidente no conselho da Raízen Energia. A Shell terá dois representantes em cada um dos conselhos de administração.
Opinião pessoal de Fernanda Souza
A opinião a seguir é pessoal de Fernanda Souza e não representa a opinião do MundoTrader.
A divisão da Raízen pode aliviar custos operacionais, mas a saúde financeira dependerá da conversão das dívidas em ações. Vejo como acertado separar as unidades, pois a distribuição de combustíveis terá um novo investidor para focar na eficiência. O sucesso futuro dependerá se o parceiro escolhido trouxer capital sem comprometer a margem operacional da nova estrutura. Prefiro acompanhar a evolução do caixa da distribuidora, já que a liquidez é vital para pagar as dívidas convertidas.
