A Raízen pode receber novos interessados em sua dívida. O fundo soberano Mubadala e a produtora FS avaliam compra de créditos da companhia. A FS contratou o Morgan Stanley para assessorar uma possível aquisição. As conversas sobre transação estão em estágio preliminar sem garantia de conclusão.
A Raízen atravessa uma das maiores reestruturações corporativas já realizadas no Brasil. A companhia fechou em março acordo para reestruturar cerca de 65 bilhões de reais em dívidas. O gestor IG4 Capital agora concentra atenções apenas nas dívidas da divisão de açúcar e etanol. Morgan Stanley, IG4, FS e Raízen não comentaram o assunto quando procurados pela Bloomberg.
A posição de caixa da empresa se deteriorou ao longo deste ano. Títulos de dívida sofreram forte desvalorização após sucessivos rebaixamentos de classificação de risco. Credores aceitaram converter parte da dívida em ações que poderão garantir mais de 80% do capital. A Raízen acelerou a venda de ativos para reduzir sua alavancagem financeira.
Mubadala, FS e IG4 buscam adquirir créditos antes da conversão em participação acionária. A FS é uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil. Em julho a companhia recebeu aporte após Amaggi adquirir 40% do negócio com investimento de 100 milhões de dólares.
Opinião pessoal de Marciel Gonzaga Muniz
A opinião a seguir é pessoal de Marciel Gonzaga Muniz e não representa a opinião do MundoTrader.
A entrada de Mubadala e FS sinaliza que a dívida reestruturada pode atrair capital produtivo se os termos forem justos. Considero acertado buscar credores soberanos, pois eles trazem disciplina fiscal necessária para evitar nova desvalorização dos títulos. Se a conversão em ações ocorrer sem garantia de lucro, o setor de açúcar e etanol continuará vulnerável a choques externos. Prefiro acompanhar a execução da venda de ativos, pois isso define se a alavancagem reduzida será sustentável no longo prazo.
