O grupo GPA registrou prejuízo de R$ 220 milhões no terceiro trimestre. O resultado positivo de R$ 142 milhões do mesmo período do ano passado foi revertido. A divulgação do balanço ocorreu nesta quarta-feira (4).

A companhia dona dos supermercados Pão de Açúcar teve lucro ajustado de R$ 482 milhões entre julho e setembro. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) apresentou alta de 17% sobre um ano antes. O ambiente de consumo desafiável caracterizou o desempenho comercial do trimestre.

A pressão sobre o poder de compra afetou as vendas da empresa. O elevado endividamento das famílias impactou a dinâmica comercial com fornecedores. A disponibilidade de produtos foi impactada pelo prolongamento do processo de homologação da recuperação extrajudicial. Os níveis de ruptura apresentaram melhora em relação ao segundo trimestre.

Os níveis de ruptura permaneceram acima dos patamares observados no início do ano. A receita líquida do GPA somou R$ 4,12 bilhões no trimestre. A venda em mesmas lojas recuou 1,4% na comparação com um ano antes. A margem bruta cresceu 3,1 pontos percentuais para 30,7%.

Opinião pessoal de

A opinião a seguir é pessoal de Aline Ferreira e não representa a opinião do MundoTrader.

O prejuízo de R$ 220 milhões revela que a pressão sobre o poder de compra ainda fragiliza a dinâmica comercial do varejo. A alta do Ebitda não compensa totalmente as rupturas de estoque, indicando que a margem bruta cresce apenas para cobrir custos operacionais elevados. Considero acertado focar na recuperação da disponibilidade de produtos, pois sem estoques adequados o crescimento da receita líquida permanece incerto. Prefiro acompanhar a evolução das vendas em mesmas lojas, já que esse dado reflete diretamente a saúde real do consumo doméstico.