A alta do dólar após a reeleição do presidente Lula impacta cotações de commodities agrícolas. O avanço da moeda americana pode ajudar o produtor e ameaça o bolso do consumidor brasileiro. Analistas indicam que a situação pode gerar repasses para os preços finais de parte dos alimentos.
A produção de carnes é impactada pela soja e pelo milho, que são bases da alimentação animal. Após vitória de Lula na semana passada, o dólar registrou alta acumulada de 9,2%. Na terça-feira (3), a moeda americana alcançou o maior nível desde dezembro de 2025. O avanço diário da moeda foi de 0,7% com cotação a R$ 5,486.
Na quarta-feira dia 4, a moeda iniciou queda depois que democratas ganharam maioria no Congresso americano. Às 9h48, o dólar recuava 0,20% cotado a R$ 5,475. O economista André Braz diz que tempo acima do pré-eleição aumenta probabilidade de impacto nos preços. O Cepea disse na terça (3) que a alta do dólar aumentou competitividade da soja brasileira.
A saca de 60 kg de soja custava R$ 152,45 no Paraná nesta terça-feira. Isso representa uma alta de 3,9% ante o patamar de R$ 146,69 em 23 de outubro. As cotações do milho voltaram a subir favorecidas pela valorização do dólar e avanço nos portos. A saca de 60 kg de milho custava R$ 66,19 nesta terça-feira.
Opinião pessoal de Marciel Gonzaga Muniz
A opinião a seguir é pessoal de Marciel Gonzaga Muniz e não representa a opinião do MundoTrader.
A valorização do dólar eleva custos de insumos, o que pode pressionar margens se a produção agrícola não compensar totalmente. Considero acertado focar na competitividade da soja, pois a moeda forte beneficia exportadores sem garantir estabilidade nos preços internos. O consumidor final dependerá de repasses de custo, mas a alta cambial não assegura inflação imediata nem lucro automático para empresas. Prefiro acompanhar a cotação do milho e da soja, já que esses dados refletem diretamente o impacto real na balança comercial.
