De acordo com informações publicadas pelo G1, a implementação de novas tarifas de importação pelo governo dos Estados Unidos tem provocado reflexos diretos sobre as exportações do Brasil. Registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que as medidas comerciais norte-americanas afetam 23,1% dos embarques brasileiros com destino àquele país, impondo alíquotas adicionais expressivas. Paralelamente, estudos do Federal Reserve de Nova York apontam que a política protecionista também gerou repasse de custos e aumento na inflação suportada pelos consumidores dos próprios Estados Unidos.

Entre os segmentos produtivos locais, a indústria de calçados figura entre as mais atingidas pelo cenário internacional desfavorável. Números da Abicalçados detalham que os envios de calçados para o mercado norte-americano apresentaram retração tanto em volume quanto em faturamento entre janeiro e agosto, processo intensificado pela redução paralela das encomendas argentinas. A associação salienta ainda que a redução na receita foi acompanhada pela diminuição do preço médio dos calçados negociados, diante do menor fluxo de artigos de maior valor agregado, a exemplo dos calçados confeccionados em couro.

Diante da retração externa, o setor fabril nacional enfrenta dificuldades para transferir o excedente produtivo para o consumo doméstico. A representação setorial observa uma crescente entrada de itens importados provenientes de países asiáticos, o que restringe o espaço das fabricantes locais no mercado interno. Em razão dessa pressão conjunta, estimativas da entidade alertam para a probabilidade de fechamento de mais de cinco mil vagas diretas de trabalho caso as barreiras alfandegárias continuem em vigor.

Fonte: G1 Economia · 10/10/2026