Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), divulgado pela Revista Oeste, indicou que 24,9% dos brasileiros recorreram a novos endividamentos ou retiradas da poupança para quitar despesas essenciais em setembro de 2026. A proporção é a mais elevada para o mês desde 2022 e se aproxima dos patamares observados entre 2015 e 2016. Conforme o estudo, o comprometimento financeiro alcançou 25,7% dos lares com renda acima de R$ 4,8 mil e 24,3% dos que recebem até esse limite.
O pesquisador Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, destacou à publicação que a piora ocorre em um momento de estabilização do mercado de trabalho, no qual a renda já não compensa o acúmulo prévio de dívidas. O especialista apontou ainda que variações pontuais entre faixas de renda podem sofrer influência de iniciativas como o programa Desenrola, que costumam amenizar temporariamente os índices de endividamento da população.
Dados da Serasa citados na reportagem mostram que o país registrava 84 milhões de pessoas inadimplentes em agosto, com contas de consumo representando 20,7% das pendências em âmbito nacional e 28,58% na cidade de São Paulo. O levantamento também relembrou que o consumo das famílias brasileiras recuou 0,4% no segundo trimestre deste ano, em período concomitante ao avanço modesto de 0,5% do Produto Interno Bruto.
Fonte: Revista Oeste Economia · 11/10/2026
