A Justiça Federal do Rio de Janeiro acolheu denúncia do Ministério Público Federal e transformou em réus doze antigos gestores da Americanas, incluindo o ex-diretor-presidente Miguel Gutierrez, apontado pela acusação como articulador do esquema. De acordo com a Revista Oeste, a ação judicial tramita sob sigilo na 6ª Vara Federal Criminal e apura irregularidades que culminaram na divulgação de um rombo estimado em cerca de R$ 20 bilhões no início de 2023. O grupo responde por crimes como manipulação de mercado, falsidade ideológica e associação criminosa, além de uso indevido de informações privilegiadas em determinados casos.

Segundo o Ministério Público, a antiga liderança apresentava dados contábeis inverídicos tanto ao mercado financeiro quanto ao conselho da varejista. As manobras investigadas concentravam-se no registro fictício de valores para publicidade e na omissão de operações de risco sacado utilizadas para financiar fornecedores. Do total de treze pessoas denunciadas originalmente no início de 2025, um ex-diretor celebrou colaboração premiada, restando os doze novos réus. Defesas questionaram o acesso às provas ao longo de mais de um ano antes da admissão da denúncia.

A apuração apontou preliminarmente que os acionistas de referência da companhia teriam sido enganados e, por isso, eles não constam entre os réus desta ação específica, embora permaneçam sob investigação em frentes paralelas desdobradas pela Polícia Federal. Procurada, a Americanas informou à fonte que não havia sido formalmente notificada sobre a abertura do processo, mas ressaltou confiar na atuação judicial e reiterou ter sido vítima de ações fraudulentas intencionais que violaram suas estruturas de controle.

Fonte: Revista Oeste Economia · 18/10/2026