Uma pesquisa divulgada pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP) e divulgada pela Agência Brasil aponta que eventuais reduções ou a paralisação nos valores de benefícios previdenciários e assistenciais têm potencial para desacelerar severamente a atividade econômica nos municípios do interior brasileiro. Itens como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e aposentadorias representam quase a metade dos rendimentos das famílias mais vulneráveis dessas localidades, sustentando o comércio e a arrecadação municipal pelo consumo imediato de artigos essenciais.
O levantamento ressalta que as transferências federais têm um peso relativo duas vezes maior em cidades interioranas se comparadas às regiões metropolitanas. Em simulações econômicas para um intervalo de três anos, a ausência de aumentos reais poderia provocar uma contração de 6,8% a 10,8% na renda agregada desses locais, gerando prejuízos ainda mais agudos em estados como Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, onde as quedas alcançariam até 18%.
Além das perdas no comércio, a falta de reajustes reais para as transferências sociais elevaria a pobreza substancialmente. As projeções dos pesquisadores indicam que cerca de 2,7 milhões de pessoas cairiam na pobreza sem a valorização das quantias entre 2022 e 2025 fora das capitais, sendo a Bahia, São Paulo e Minas Gerais os estados com maior contingente absoluto de indivíduos afetados nessa estimativa.
Fonte: Agência Brasil Economia · 17/10/2026
