As taxas de juros elevadas permanecem como o maior obstáculo para a indústria brasileira obter crédito, de acordo com sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento revelou que 76% das companhias com dificuldades em linhas de curto ou médio prazo identificaram os juros como barreira expressiva, enquanto o índice atingiu 69% nos contratos com prazos superiores a cinco anos. Apesar dos índices altos, houve recuo frente a 2025, embora analistas da entidade apontem que as reduções na taxa básica demoram a amenizar os custos reais cobrados das empresas.

A pesquisa, que ouviu 1.701 indústrias de diferentes portes sobre o período de fevereiro a julho de 2026, destacou ainda que a exigência de garantias reais representou o segundo maior entrave, citada por mais de 30% dos participantes em ambas as modalidades de crédito. O índice de frustração entre quem procurou recursos cresceu em relação ao ano anterior, afetando com mais severidade as pequenas e médias empresas, das quais quase metade não obteve o financiamento almejado no longo prazo.

Outro ponto evidenciado pela CNI foi a utilização atípica de linhas de longo prazo para custear capital de giro e gastos rotineiros, finalidade escolhida por 28,7% dos tomadores dessas modalidades, superando os desembolsos voltados à compra de maquinários e instalações. Para mitigar o problema, os industriais entrevistados defenderam prioritariamente a diminuição de encargos tributários e administrativos, além da flexibilização das exigências bancárias e da extensão de linhas públicas.

Fonte: Agência Brasil Economia · 09/10/2026