O estudo do FMI analisa um modelo de transferências transfronteiriças apelidado de sanduíche de stablecoins. A operação inicia em uma conta bancária tradicional e converte-se em criptoativo para o envio via blockchain. O estudo avaliou majoritariamente as stablecoins USDT da Tether e USDC da Circle no ecossistema analisado. As tarifas de negociação nas corretoras e taxas bancárias superam o custo operacional na própria blockchain.

O Fundo Monetário Internacional calculou em 2,18% o custo médio para enviar US$ 200 entre fronteiras. O levantamento assinado por André Reslow, Edona Reshidi, Andrew Usher, Jeanne Verrier e Marcello Miccoli bate a meta de 3% definida pelo G20. A taxa média global cobrada pelos canais tradicionais de remessas é de 6,36% segundo o estudo.

Cinco etapas iniciadas no depósito bancário local e na compra do criptoativo foram mapeadas pelos pesquisadores. Em 29 corretoras centralizadas, 18 economias com 270 corredores tiveram 4.005 rotas completas avaliadas pela equipe. Para remessa de US$ 200, as tarifas das plataformas lideram a conta com média de 0,85%. As taxas de depósito e saque em moeda fiduciária consomem 0,67% quando o cliente escolhe o meio bancário mais barato.

A blockchain envia criptomoedas, representando 0,48%, fatia menor que um quarto do custo total da operação internacional. Remessas de US$ 50 passam a ter 4,12%, mas transferências de US$ 5 mil caem para 1,54%. Ao trocar transferência comum por métodos caros, a despesa média do corredor sobe de 2,18% para 3,04% e 4,07%.

Opinião pessoal de

A opinião a seguir é pessoal de Marcos Rodrigues e não representa a opinião do MundoTrader.

Considero acertado que o custo reduzido da blockchain beneficia quem envia valores altos, mas não resolve tarifas bancárias altas. O mecanismo de conversão em cripto ainda depende de taxas de corretora que mantêm a despesa total acima do ideal. A economia real dependerá se os bancos adotarem esse modelo ou se as taxas fiduciárias continuarão onerando o consumidor. Prefiro acompanhar a evolução das tarifas bancárias, pois elas definem o poder de compra mais que o custo da rede.