Reportagem da Fortune com base em análises de Rakesh Kumar, professor da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, indica que os bloqueios comerciais dos Estados Unidos destinados a limitar a indústria tecnológica da China acabaram acelerando a criação de alternativas locais. De acordo com o especialista, as barreiras de exportação não impediram o avanço asiático em setores como robótica e câmeras inteligentes, os quais dispensam processadores de altíssima complexidade e agora passam a ser supridos por fornecedores chineses estimulados pelos incentivos estatais.

O avanço interno já modifica a correlação de forças comerciais no setor de hardware. A fabricante chinesa Huawei comunicou o fornecimento de mais de 100 milhões de aparelhos alimentados por processadores Kirin de produção própria desde 2023, ao mesmo tempo em que modelos avançados de inteligência artificial, como os criados pela DeepSeek e pela Z.ai, passaram a ser configurados em seus chips Ascend. Enquanto isso, dados da consultoria IDC apontam que a participação da norte-americana Nvidia em chips para centrais de dados no mercado chinês caiu para 34% no primeiro semestre de 2026, com uma redução anual de 44% nas entregas de aceleradores.

Além disso, empresas chinesas como a Meituan conseguiram treinar modelos de inteligência artificial com 1,6 trilhão de parâmetros integralmente em circuitos fabricados nacionalmente, e a fabricante ChangXin Memory Technologies prepara uma nova arquitetura de memória para o mercado. Apesar de não disporem de máquinas de litografia ultravioleta extrema da fornecedora ASML devido ao veto diplomático, fabricantes da China vêm compensando os entraves por meio de otimização de algoritmos e técnicas avançadas de empacotamento.

Fonte: Fortune · 16/10/2026