A aprovação no Senado da proposta que extingue a escala 6x1 e diminui a jornada semanal de 44 para 40 horas gerou apreensão entre representantes da construção civil, segundo informações compiladas pelo Guia do Investidor. Estimativas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção apontam que a perda de cerca de 600 milhões de horas trabalhadas ao ano exigirá a admissão de 288 mil novos operários para manter o ritmo das atividades, gerando um custo adicional anual calculado em R$ 13,5 bilhões com folhas de pagamento e encargos.
O aumento nas despesas com a mão de obra pode chegar a 15%, refletindo-se em um encarecimento de ao menos 6% no valor global das obras. Estudos da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias e do SindusCon-SP estimam aumentos de até 5,5% a 6% nos preços finais de unidades residenciais. Representantes do setor alertam que a escassez estrutural de mão de obra e o período de transição estipulado na emenda dificultarão o cumprimento de cronogramas em empreendimentos com ciclos longos.
As projeções também indicam possíveis consequências negativas para programas habitacionais do governo. De acordo com os dados apresentados, o Minha Casa, Minha Vida pode ter uma diminuição de aproximadamente 30 mil moradias financiadas por ano, somando até 150 mil unidades a menos no período de cinco anos. Além disso, o Secovi-SP avalia que operários que recebem com base em metas de produtividade enfrentam risco de perda de rendimentos devido à menor quantidade de horas cumpridas nos canteiros.
Fonte: Guia do Investidor · 16/10/2026
