O Banco Central parou de cortar a Selic após cinco reduções seguidas desde março. A inflação voltou a ficar acima do teto da meta de 4,5% no momento da pausa. O dólar fechou a R$ 4,98 na sexta-feira anterior ao segundo turno das eleições.
A taxa do dólar terminou o dia a R$ 5,45 nesta quarta-feira com uma alta de quase 10% em duas semanas. O Boletim Focus elevou a projeção do dólar para o fim de 2026 de R$ 5,05 para R$ 5,34 depois da eleição. O próprio Banco Central subiu sua estimativa de IPCA para 2027 de 3,9% para 4,7%.
A inflação estava em 3,5% no segundo trimestre de 2028 conforme a nova projeção do Banco Central. O comunicado deixou claro que o juro atual já freia a economia o bastante sem pressa para voltar a cortar. Após a decisão, manter a projeção do Focus de Selic em 13,50% até o final do ano tornou-se difícil.
Após elevação em setembro, Federal Reserve nos EUA mantém juros entre 3,75% e 4%. A Selic está em 13,75% no Brasil enquanto o diferencial de juros inclui um prêmio de risco do país. O economista Olivier Blanchard estudou o Brasil de 2002 e 2003 ao analisar o impacto do risco fiscal nos juros.
Opinião pessoal de Beatriz Costa
A opinião a seguir é pessoal de Beatriz Costa e não representa a opinião do MundoTrader.
Considero acertado que a pausa na Selic reflete o risco inflacionário real acima da meta de 4,5%. A alta do dólar para R$ 5,45 pressiona custos e margens, exigindo cautela nos investimentos atuais. O aumento da projeção do IPCA para 4,7% em 2027 indica que a economia ainda enfrenta pressões distributivas. Prefiro acompanhar a evolução dos preços internos, pois eles definem o poder de compra das famílias.
