Relatórios de organizações sociais e dados governamentais apontaram uma expansão expressiva nos casos de agressão política de gênero no Brasil. Conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral divulgadas pela Agência Brasil, as ocorrências desse tipo cresceram onze vezes entre 2022 e 2026, saltando de 15 para 177 processos. No mesmo sentido, a Central de Atendimento à Mulher registrou mais de 1,5 mil notificações de violência política contra mulheres de janeiro a agosto de 2026, atingindo prioritariamente mulheres pretas e pardas.

Um levantamento conjunto das entidades Terra de Direitos e Justiça Global revelou que, durante a campanha até o primeiro turno do pleito de 2026, foram mapeados 134 casos de violência política, dos quais mais da metade teve mulheres como alvo. O contexto de hostilidade também se refletiu em denúncias de ameaças de morte e violência sexual feitas pela deputada federal eleita Ana Elisa, que precisou de proteção armada durante a disputa em Minas Gerais após ter dados pessoais expostos.

Representantes do Ministério das Mulheres associaram esse quadro a um problema estrutural de misoginia que busca conter a atuação feminina em espaços institucionais. O diagnóstico coincide com o marco do Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, período no qual entidades civis formalizaram novas queixas ao TSE sobre agressões verbais e físicas sofridas por postulantes a cargos públicos.

Fonte: Agência Brasil (Política) · 10/10/2026