Segundo reportagem da Agência Pública baseada em dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a representação dos povos originários no Congresso Nacional ficará abaixo de 1% a partir de 2027. Das 45 candidaturas lançadas pela articulação Bancada do Cocar no primeiro turno, somente Sônia Guajajara e Juliana Cardoso conquistaram cadeiras na Câmara dos Deputados, enquanto outros 21 postulantes ficaram na suplência e as tentativas para cargos majoritários no Amazonas não obtiveram sucesso.
Em contrapartida, cinco legendas classificadas pelo Cimi como as que mais atuaram contra pautas indígenas — PL, PP, Republicanos, União Brasil e MDB — vão ocupar 53 assentos no Senado Federal, com o PL formando as maiores bancadas de ambas as Casas legislativas. A avaliação do secretário-executivo do Cimi, Luis Ventura, indica que a composição confere força suficiente para aprovar modificações constitucionais que ameaçam direitos fundamentais, como avanços sobre a tese do Marco Temporal, bloqueio a novas demarcações e liberação de territórios para exploração econômica externa.
No Senado, nenhum dos parlamentares eleitos se autodeclara indígena. Apesar do cenário desfavorável, lideranças como Guajajara e Célia Xakriabá destacam que a resistência parlamentar buscará apoio em uma frente mista já existente na Câmara, embora reconheçam as severas disparidades financeiras e estruturais que marcaram a disputa eleitoral para as candidaturas originárias.
Fonte: Agência Pública · 13/10/2026
