De acordo com o jornal Dawn, a Índia registra uma forte intensificação de atos de rua organizados pela juventude contra a gestão do primeiro-ministro Narendra Modi. Estimativas do projeto Armed Conflict Location and Event Data apontam que as manifestações deste ano podem superar os índices de qualquer momento da última década. Em Nova Délhi, os protestos recentes exigiram a demissão do chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, sob a acusação de que revisões nas listas de votantes teriam favorecido o governista Partido do Povo Indiano (BJP), alegação rejeitada pela legenda e pelas autoridades eleitorais.

O descontentamento popular ultrapassa o âmbito eleitoral e reflete a frustração de milhões de jovens diante da escassez de postos de trabalho, após mais de uma década de governo Modi. Entre as queixas apresentadas pelos manifestantes também estão vazamentos recorrentes em exames de qualificação para cargos públicos e educacionais, índices de violência contra mulheres e a proximidade entre a liderança política e grandes empresários. A polícia da capital indiana deteve dezenas de ativistas e negou agressões aos manifestantes durante as dispersões.

O levante ganhou força com o surgimento do Cockroach Janta Party, uma articulação juvenil originada nas redes sociais que passou a coordenar protestos presenciais em várias regiões. Com a baixa repercussão das queixas nos veículos de comunicação tradicionais, militantes e canais independentes na internet ampliaram a visibilidade dos atos, atraindo também figuras de destaque da oposição indiana, como o político Rahul Gandhi, para marchas que contestam a administração federal.

Fonte: Dawn (Paquistão) · 16/10/2026