Conforme reportado pelo G1, o programa de austeridade conduzido por Javier Milei na Argentina converteu-se em referência de polarização nas campanhas presidenciais do Brasil. De um lado, Flávio Bolsonaro enxerga a administração vizinha como um modelo de equilíbrio orçamentário a ser seguido, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva alerta para as severas consequências sociais provocadas por intervenções drásticas nas contas do Estado.

A apuração do portal detalha que as reformas econômicas argentinas obtiveram êxitos na contenção inflacionária, que caiu de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, além de garantirem saldo comercial favorável, alta de 4,4% no PIB em 2025 e expressivo avanço no índice de ações Merval. No entanto, o otimismo inicial do mercado sofreu arrefecimento decorrente da carência de reservas em moeda estrangeira, da desvalorização cambial do peso e de contínuas incertezas financeiras, a despeito do apoio externado por Donald Trump.

Por outro lado, o veículo destaca o aprofundamento das dificuldades cotidianas da população, apontando que a taxa de desemprego alcançou 7,9%, mais de 32 mil companhias fecharam as portas ou perderam funcionários formais e a pobreza voltou a atingir um terço dos cidadãos. Esse contexto adverso impulsionou manifestações estudantis contra cortes nas universidades públicas e gerou forte desgaste político para o presidente, cuja reprovação alcançou 58% na média nacional e bateu quase 70% nas faixas de menor renda, segundo pesquisa da AtlasIntel.