Um levantamento realizado pela Agência Pública apontou que, entre os 40 senadores que apoiam a chamada PEC da Flexibilidade, pelo menos dez possuem antepassados diretos que foram proprietários de pessoas escravizadas ou que obtiveram vantagens com a escravidão. A iniciativa legislativa, encabeçada pelo senador Rogério Marinho, sugere o modelo de remuneração por horas trabalhadas como contraponto à proposta que visa extinguir a jornada 6x1.
Documentos examinados pela reportagem indicam que antepassados de Marinho atuaram como senhores de engenho no Rio Grande do Norte com uso de mão de obra cativa. Registros similares envolvem familiares históricos de outros integrantes da Casa, como Jayme Campos, Tereza Cristina, Marcos Pontes e Efraim Filho, cujos antecessores registraram propriedade de terras e escravizados entre os séculos XVIII e XIX. Procurados pela publicação, senadores como Marinho e Campos não se manifestaram.
A proposta segue paralisada no Senado, mas sua continuidade pode ser pautada no cenário político futuro. Críticos do texto associam a flexibilização a formas degradantes de trabalho, enquanto defensores alegam que o modelo de negociação direta de jornada e pagamento por hora é a relação trabalhista mais adequada.
Fonte: Agência Pública · 14/10/2026
