Pesquisadores do Hospital de Amor, situado em Barretos (SP), estruturaram um repositório biológico voltado a subsidiar o desenvolvimento de métodos personalizados para prevenção e diagnóstico de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). A base integra dados genéticos, clínicos e de estilo de vida, buscando suprir a carência de estudos sobre a população nacional, já que mais de 90% das pesquisas genômicas mundiais se concentram em indivíduos de ascendência europeia.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e publicação na revista científica iScience, o projeto conta atualmente com mais de 4 mil voluntários e cerca de 40 mil amostras sanguíneas, focando inicialmente em tumores de mama, colo do útero e colorretal. Conforme explicou o coordenador do estudo, Rui Manuel Reis, ao Jornal GGN, a intenção é alcançar 8 mil participantes e calcular escores de risco poligênico compatíveis com as misturas genéticas locais, que combinam origens indígenas, africanas, europeias e asiáticas.

Apesar dos avanços na catalogação das variantes genéticas e dos hábitos dos participantes, a ferramenta ainda não está disponível para uso clínico nem integrada ao SUS. Os modelos de cálculo necessitam de testes adicionais e validações em outros centros científicos para que, futuramente, exames de sangue simplificados possam orientar o acompanhamento preventivo direcionado na rede pública.

Fonte: Jornal GGN · 09/10/2026