O Goldman Sachs iniciou o acompanhamento das ações da Azul estipulando uma classificação neutra e preço-alvo de R$ 20,70 para os papéis no Brasil e de US$ 8,10 para os recibos negociados em Nova York, o que representa um espaço para valorização de 23%. Conforme informado pelo Guia do Investidor, a análise considera a saída da empresa do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos e a consequente melhoria financeira, com previsão de que o índice de endividamento caia de mais de cinco vezes o Ebitda registrado em 2025 para 3,1 vezes em 2027. Ainda assim, a instituição financeira mantém preferência por concorrentes como Latam e Copa Airlines, que operam com balanços menos endividados.

A rentabilidade da empresa aérea permanece vulnerável às variações nos preços dos combustíveis e à cotação da moeda americana. Os gastos com querosene de aviação compõem quase um terço das despesas da Azul, e uma elevação de 10% nesse insumo pode reduzir o Ebitda em magnitude equivalente, caso as passagens não sejam reajustadas. Do mesmo modo, apesar de focar a maior parte de sua capacidade no mercado interno, custos operacionais relevantes são fixados em dólar, fazendo com que uma depreciação de 10% do real acarrete uma perda estimada de 7% no resultado operacional.

Em termos de concorrência, o setor nacional movimentou 130 milhões de viajantes em 2025, mantendo o tráfego doméstico distribuído entre Latam, Gol e Azul, que detém 30% do mercado com foco na ligação entre aeroportos regionais e capitais. De acordo com o relatório, revisões mais otimistas para a companhia dependerão do comportamento favorável do câmbio, do recuo dos combustíveis no mercado internacional, da ampliação da liquidez das ações e de sinalizações mais claras sobre proventos aos acionistas.

Fonte: Guia do Investidor · 19/10/2026