De acordo com o JOTA, o avanço expressivo nas taxas de juros dos títulos públicos das grandes economias tem alcançado patamares inéditos em décadas. Os rendimentos de papéis com vencimento em dez anos atingiram 5,30% nos Estados Unidos, 5,40% no Reino Unido, 3,50% na Alemanha e 3,10% no Japão. Entre os determinantes estruturais apontados estão o alto endividamento governamental — com previsão do Fundo Monetário Internacional de que a dívida bruta dos países avançados alcance 114,8% do PIB até 2031 — e a expressiva captação de recursos por gigantes de tecnologia, que emitiram mais de US$ 220 bilhões em 2026 para custear estruturas de inteligência artificial.

A publicação destaca que esse cenário internacional fortalece a moeda norte-americana, impõe riscos ao valuation de companhias em bolsa e reduz a margem para alívio monetário em economias emergentes. Para o Brasil, onde as taxas domésticas se balizam pelo rendimento de títulos externos acrescido de prêmios de risco cambial e fiscal, a persistência de juros externos em níveis elevados estabelece um patamar mais exigente para o recuo da Selic e das taxas futuras, mesmo diante de eventuais ajustes fiscais.

Fonte: JOTA · 12/10/2026