Segundo informações divulgadas pela Fortune, estatísticas oficiais norte-americanas mostram que a carteira de títulos públicos dos Estados Unidos mantida formalmente pela China caiu para 591 bilhões de dólares em agosto, atingindo a menor marca em 18 anos. No entanto, o próprio Departamento do Tesouro dos Estados Unidos pondera que a contabilização considera prioritariamente instituições financeiras e custodiantes sediados em solo norte-americano, o que impede a identificação definitiva dos proprietários finais de ativos guardados internacionalmente.
Analistas citados pelo veículo ressaltam que a redução chinesa ocorreu em paralelo a saltos expressivos nos estoques de títulos registrados em jurisdições como Canadá e Bélgica. Ao mesmo tempo, o país asiático acumulou fortes superávits comerciais recentemente — superando 1,2 trilhão de dólares em 2025 e atingindo 938 bilhões de dólares nos primeiros nove meses de 2026 —, capital este que precisa ser reciclado no mercado global, o que reforça o ceticismo em relação a um abandono completo dos papéis da dívida norte-americana.
De acordo com Brad Setser, especialista do Council on Foreign Relations, existem fortes evidências de que Pequim utiliza custodiantes em centros europeus e no Canadá para gerenciar parcela relevante de suas alocações. Consideradas essas contas intermediárias, Setser estima que a exposição chinesa a ativos financeiros dos Estados Unidos permaneça em uma faixa entre 50% e 55% do volume total de suas reservas cambiais.
Fonte: Fortune · 18/10/2026
