De acordo com dados preliminares governamentais divulgados pela Fortune, o déficit comercial japonês no primeiro semestre fiscal chegou a 2,81 trilhões de ienes, o equivalente a cerca de 17,8 bilhões de dólares. As importações no período entre abril e setembro cresceram 20,4% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior, totalizando 66,3 trilhões de ienes, enquanto as exportações avançaram 18,4%, para 63,5 trilhões de ienes, estabelecendo marcas inéditas para ambos os indicadores.

A alta nos custos de importação decorre dos desdobramentos da guerra no Irã e do bloqueio operacional no Estreito de Ormuz, forçando o Japão a pagar valores maiores por rotas alternativas para suprir quase toda a sua demanda de óleo bruto. A cotação do barril Brent subiu de 70 dólares em fevereiro para aproximadamente 110 dólares. Esse cenário pressiona o setor produtivo e se soma à desvalorização cambial do iene frente à moeda norte-americana.

Para tentar conter as perdas da moeda e controlar a inflação, o Banco do Japão elevou a taxa básica de juros para 1,25%, nível mais alto em mais de três décadas. No âmbito fiscal, a administração da primeira-ministra Sanae Takaichi apresentou uma proposta ao Parlamento para reduzir temporariamente os tributos sobre alimentos de 8% para 1%, buscando diminuir os impactos da inflação sobre as famílias mais vulneráveis.