Em audiência pública realizada na Comissão de Meio Ambiente do Senado, especialistas e parlamentares examinaram os reflexos da política tarifária recente dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. O pesquisador Renato Baumann, do Ipea, ponderou que o Brasil mantém saldo negativo no comércio bilateral com aquele país desde 2008, o que contrasta com as justificativas econômicas adotadas para a imposição de sobretaxas que atingem quase metade dos produtos enviados pelo mercado nacional, informou a Agência Senado.
O encontro também discutiu o potencial do território nacional no segmento de terras-raras, recurso no qual o país ocupa a segunda maior reserva global. A cientista política Luíza Gimenez Cerioli salientou o papel dessas matérias-primas na reconfiguração tecnológica e na segurança internacional, cenário no qual a forte presença chinesa tem incentivado outras potências a encararem tais suprimentos sob a ótica geopolítica.
Por sua vez, o professor Fernando Landgraf, da USP, defendeu que o país avance além da extração básica e viabilize a produção de itens manufaturados, como ímãs industriais. Ele ressaltou que a consolidação dessa indústria de transformação requer políticas de incentivo a longo prazo e captação de recursos externos devido aos custos envolvidos no segmento.
