De acordo com informações do Politico Europe, o vice-primeiro-ministro e ministro da Saúde da Bélgica, Frank Vandenbroucke, defendeu que a União Europeia prepare a aplicação de seu Instrumento Anticoerção comercial contra medidas dos Estados Unidos. Em estudo divulgado pelo Egmont Institute em coautoria com Gloria Ghéquière, a autoridade propõe que o bloco esteja pronto para suspender concessões tarifárias negociadas anteriormente caso o governo norte-americano eleve impostos sobre mercadorias europeias para pressionar o aumento do custo de medicamentos.
A publicação relata que a administração norte-americana utiliza a política de nação mais favorecida para tentar vincular o valor de remédios aos índices praticados em economias ricas, como Alemanha, França e Itália, alegando que os consumidores de seu país custeiam injustamente a pesquisa farmacêutica global. Para pressionar por reajustes externos, acordos já foram firmados com fabricantes para balizar programas de saúde pública, além de ter sido iniciada uma apuração formal sobre supostos pagamentos insuficientes na Alemanha, medida que ameaça elevar tarifas comerciais além dos patamares vigentes.
Segundo o relatório de Vandenbroucke, o efeito provável da exigência externa seria uma elevação drástica nos preços na Europa ou o desabastecimento de remédios, em contrapartida a um alívio modesto para os pacientes norte-americanos. Em resposta à movimentação de Washington, representantes de oito países do bloco reuniram-se recentemente na Irlanda para estruturar uma atuação coordenada em nível continental a fim de evitar iniciativas isoladas.
