Conforme dados do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central divulgados pela Revista Oeste, o risco de as famílias brasileiras não quitarem suas obrigações financeiras atingiu o nível mais elevado registrado desde 2012. Paralelamente, o montante da renda doméstica voltado ao pagamento de dívidas chegou ao patamar mais alto dos últimos 21 anos. No encerramento do primeiro semestre de 2026, os chamados ativos problemáticos, que englobam atrasos superiores a 90 dias ou indícios de inadimplência integral, representavam 9,2% de todo o crédito concedido a pessoas físicas, com impacto mais severo sobre a população de menor remuneração.

A piora no índice se distribuiu por diversas linhas de financiamento analisadas pela autoridade monetária. A carteira do cartão de crédito encerrou junho com 12,7% das operações classificadas como problemáticas, enquanto o financiamento voltado a veículos alcançou 8,5% e a modalidade consignada registrou 5%. Empréstimos pessoais sem garantias e sem desconto em folha atingiram taxa próxima a 15%. Segundo a publicação, o contingente de devedores enquadrados em situação de risco chegou a 20,3 milhões de pessoas, equivalendo a 17% do total de devedores do Sistema Financeiro Nacional.

A reportagem destaca ainda que alterações nas diretrizes contábeis implementadas no início de 2025 impactaram os números, fazendo com que créditos inadimplentes permaneçam registrados por períodos mais longos nas demonstrações das instituições financeiras. Pelos cálculos do Banco Central, a inadimplência seria 0,78 ponto percentual menor em junho caso as regras antigas estivessem em vigor. A expectativa da autoridade é de manutenção da pressão financeira sobre os orçamentos familiares ao longo do segundo semestre de 2026.