De acordo com artigo assinado por Matthew Lynn na revista MoneyWeek, a França enfrenta uma crescente pressão em seu mercado de títulos de dívida soberana. A análise destaca que o país mantém déficits fiscais contínuos desde a década de 1970, somando atualmente uma dívida pública de cerca de 121% do Produto Interno Bruto e previsão de deficit de 5,4% para o ano vigente. Diante de despesas estatais elevadas, arrecadação tributária próxima do limite e instabilidade política que dificulta a aprovação orçamentária, os rendimentos dos títulos de dez anos subiram para cerca de 5%, ampliando a diferença em relação aos papéis alemães a patamares não observados desde os anos de 2011 e 2012.

O articulista pontua ainda que, embora regras formais exijam programas rígidos de contenção fiscal para acionar suportes a distúrbios de mercado, a relevância da economia francesa para o bloco do euro deve forçar uma intervenção do Banco Central Europeu. Segundo a MoneyWeek, uma eventual reestruturação da dívida francesa colocaria em perigo a estabilidade financeira de todo o continente. Assim, a publicação sugere que a autoridade monetária pode recorrer a mecanismos indiretos, como a concessão de crédito a bancos comerciais locais para a aquisição de obrigações governamentais, estratégia que também apresenta riscos de transmissão da crise para o sistema financeiro.