Uma análise de Ming Lu, da gestora KKR, publicada na revista Fortune e divulgada pelo Jornal GGN, indica que o avanço veloz da inteligência artificial não tem gerado reflexos imediatos na produtividade corporativa geral. O autor classifica o fenômeno como um paradoxo da inovação, em que o rápido desenvolvimento tecnológico coexiste com um crescimento econômico mais lento, em razão de entraves na reestruturação dos processos de trabalho.

Para embasar a avaliação, cita-se uma pesquisa da McKinsey na qual 88% das organizações declararam utilizar IA em ao menos um setor, contudo apenas 6% alcançaram patamar de alto desempenho, com impacto superior a 5% no lucro operacional. A discrepância decorre de transformações nos fluxos operacionais de ponta a ponta, efetuadas por somente 21% dos negócios consultados. Ademais, aponta-se uma concentração dos ganhos no setor financeiro, onde 36 companhias do índice S&P 500 associadas à tecnologia concentram 45% do valor total do índice.

Segundo o especialista, a carência de saltos produtivos é mais acentuada no segmento de serviços — como administração pública, educação e saúde —, que compõe metade da economia dos países desenvolvidos e requer interações humanas complexas. A conversão de ferramentas em resultados esbarra em problemas organizacionais cotidianos, como burocracias internas, imposições regulatórias e disputas sobre o uso e propriedade de dados.

Fonte: Jornal GGN · 13/10/2026