De acordo com reportagem da revista The Atlantic, universidades públicas do estado do Texas passaram a impor restrições a conteúdos acadêmicos por meio de novas diretrizes e ferramentas digitais. Na Texas Tech University, docentes foram obrigados a submeter seus materiais a um sistema de inteligência artificial encarregado de detectar menções a preconceitos de raça ou gênero, bem como infrações à norma legal estadual que reconhece exclusivamente os sexos masculino e feminino. A publicação relata que a triagem automatizada levou até mesmo à remoção da obra A República, de Platão, devido a referências históricas sobre sexualidade e papéis de gênero.

Processos judiciais citados pelo veículo, movidos pela Associação Americana de Professores Universitários e pela União Americana pelas Liberdades Civis, apontam outros impactos no ambiente acadêmico. Na área médica da Texas Tech, docentes receberam orientações para evitar o atendimento a pacientes transgênero diante de alunos, enquanto na Tarleton State University professores precisaram retirar materiais sobre direitos LGBTQ e segregação urbana de disciplinas de história política.

Na Universidade do Texas em Austin, a administração anunciou o fechamento de graduações focadas em estudos africanos, latino-americanos, de gênero e migração, além da exclusão de mais de uma centena de cursos do currículo comum. Defensores das medidas afirmam que as intervenções servem para conter visões ideológicas nas universidades, enquanto acadêmicos ouvidos pela revista sustentam que as restrições configuram uma imposição governamental sobre a liberdade de ensino e pesquisa.

Fonte: The Atlantic · 11/10/2026