As negociações para definir o próximo orçamento de longo prazo da União Europeia, previsto para o período entre 2028 e 2034, enfrentam divergências entre os Estados-membros e os órgãos comunitários. Segundo informações do The Irish Times, a Irlanda, que lidera temporariamente a presidência do Conselho da UE, sugeriu reduzir as dimensões do pacote original de 1,7 trilhão de euros elaborado pela Comissão Europeia. O órgão executivo do bloco demonstrou insatisfação com a proposta de compromisso, apontando que a limitação orçamentária reduz a margem de manobra para responder a crises futuras.

A discussão evidencia um racha interno no bloco. De um lado, governos fiscais conservadores como Alemanha, Países Baixos, Finlândia, Dinamarca, Suécia e Áustria cobram reduções de centenas de bilhões de euros, defendendo cortes na Política Agrícola Comum e em programas regionais de coesão para priorizar gastos com defesa e segurança de fronteiras. O chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou os ajustes sugeridos como um passo inicial, mas ainda insuficientes. Por outro lado, países como Espanha, Itália e Polônia insistem em blindar os repasses tradicionais destinados aos agricultores e à infraestrutura regional.

O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, defendeu que a alternativa proposta buscava conciliar demandas opostas e afirmou que o bloco ainda precisa de uma estrutura maior do que o pacote de 1,2 trilhão de euros em vigor até 2027. A tarefa de alinhar os 27 líderes para tentar fechar um consenso sobre as contas e o financiamento do bloco foi repassada ao presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Fonte: The Irish Times (Politics) · 15/10/2026