Representantes da União Europeia e do setor empresarial avaliaram os desdobramentos de um recente acordo comercial fechado em Pequim, que estabeleceu a redução pela metade das exportações de veículos híbridos chineses para o mercado europeu. De acordo com informações divulgadas pelo Politico Europe durante o European Resilience Summit, o comissário de Comércio da UE, Maroš Šefčovič, busca conter um déficit bilateral diário de 1 bilhão de euros, com novas rodadas de diálogo previstas com o ministro chinês Wang Wentao para janeiro e março.

Apesar da recepção positiva por entidades empresariais chinesas, tensões persistem em relação ao cumprimento das regras acordadas. Linlin Liang, representante da Câmara de Comércio da China junto à UE, frisou que o Ministério do Comércio de seu país reserva o direito de adotar retaliações caso o pacto não seja respeitado, enquanto defendeu que o desempenho exportador do país resulta de inovação e não apenas de incentivos públicos. Em contrapartida, parlamentares europeus apontaram dados da OCDE sobre o elevado volume de subsídios industriais estatais em Pequim como um entrave contínuo à concorrência justa.

O debate também expôs divergências sobre o projeto da Lei do Acelerador Industrial europeu, que busca priorizar compras governamentais voltadas a companhias locais em áreas como siderurgia, energia renovável e setor automotivo. Setores da indústria alertaram que exigências excessivas de produção regional podem isolar o bloco das cadeias globais de abastecimento, defendendo a manutenção de parcerias internacionais em vez de barreiras comerciais restritivas.

Fonte: Politico Europe · 14/10/2026