O conto "The Blue Fighter", do escritor zimbabuense Simbarashe Steyn Kundizeza, vencedor da mais recente edição do Caine Prize for African Writing, foi quase integralmente classificado como gerado por inteligência artificial por um sistema de detecção automatizado, segundo reportagem da revista The Atlantic. A honraria, uma das mais tradicionais da literatura africana e dotada de um prêmio de 10 mil libras esterlinas, veda expressamente a submissão e premiação de textos criados por esse tipo de tecnologia.
A revelação ocorre em meio a episódios semelhantes registrados em outras premiações internacionais, como o Commonwealth Prize e o Prix Goncourt, nos quais a ferramenta de detecção Pangram também acusou o uso de inteligência artificial entre obras finalistas. No caso do concurso africano, todas as vinte e cinco produções anteriormente premiadas haviam sido avaliadas pelo mesmo software como de autoria estritamente humana.
Diante dos apontamentos, a presidente do conselho curador da premiação, Ellah Wakatama, informou que abriu um processo de verificação interna que abrangerá a consulta aos jurados, a reavaliação minuciosa do texto e o contato direto com o autor e seus agentes literários, buscando determinar a autenticidade do material apresentado.
Fonte: The Atlantic · 11/10/2026
