A Suprema Corte do Paquistão rejeitou um pedido de revisão criminal apresentado por Muhammad Kamran, que tentava comutar sua pena de morte para prisão perpétua após cumprir cerca de 15 anos no corredor da morte pelo assassinato de uma mulher que recusou casar-se com ele. De acordo com o jornal Dawn, a decisão foi proferida por um colegiado de três juízes, com parecer redigido pelo magistrado Muhammad Hashim Khan Kakar, o qual apontou que a violência cometida contra uma mulher por recusar um pedido matrimonial representa uma profunda vergonha para a consciência social.
O tribunal destacou que o casamento é um pacto voluntário que depende estritamente do consentimento mútuo, repudiando costumes patriarcais que impõem a posse sobre as mulheres. O julgamento criticou formalmente tradições históricas locais, como o ghag, que consiste na declaração unilateral de posse sobre uma mulher sem a concordância dela, além de práticas como o suara e o watta-satta, enfatizando que essas imposições ferem a autonomia feminina e violam a legislação vigente no país.
Fonte: Dawn (Paquistão) · 13/10/2026
