O lançamento da linha de smartphones Mate 90 evidenciou novas pressões de custos e fornecimento para a Huawei. Segundo declarações de Richard Yu, responsável pela divisão de consumo da empresa, reportadas pela Reuters e pelo TheStreet, a alta nos preços de memórias acrescentou cerca de 200 dólares ao custo de fabricação por aparelho, elevando os preços finais ao consumidor. O cenário coincide com uma retração de dois dígitos nas vendas de smartphones na China entre agosto e setembro, conforme apontado pela Counterpoint Research à CNBC.

A fabricante também lida com limites na capacidade de produção de seus processadores Kirin, desenvolvidos com a técnica de empilhamento tridimensional LogicFolding, que demanda maior volume de silício. Estimativas citadas pela Reuters apontam que a produção dos chips depende da fabricante local SMIC, cujas instalações atingiram 93,7% de ocupação no segundo trimestre e também precisam atender à demanda por aceleradores Ascend voltados a inteligência artificial, criando um gargalo para a oferta fora do território chinês.

Paralelamente, a Huawei transferiu à montadora Seres o controle direto sobre definição de produto, marketing e varejo da marca de veículos Aito, passando a exercer papel de suporte após as entregas de veículos parceiros registrarem queda de 29% em setembro, conforme informado pela CnEVPost. Enquanto a divisão de consumo teve crescimento de 1,6% em 2025, o executivo reconheceu que a companhia ainda enfrenta restrições para obter componentes avançados suficientes para sustentar uma retomada mais ampla no mercado global.

Fonte: TheStreet · 09/10/2026