O número de indivíduos submetidos à pobreza multidimensional registrou aumento no cenário global pela primeira vez em 15 anos, alcançando a marca de 1,2 bilhão de pessoas. Os dados constam no mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado pelo jornal Dawn. Ao contrário das medições restritas à renda financeira, esse índice analisa carências sobrepostas em aspectos fundamentais como desnutrição, mortalidade infantil, anos e frequência de estudo, além do acesso a saneamento, água potável, moradia e eletricidade. O levantamento identificou um acréscimo de 51,5 milhões de pessoas vulneráveis na comparação com a edição anterior, apontando que mais da metade desse grupo é composta por crianças e que 83% dos afetados residem em zonas rurais.
No panorama regional, o Sul da Ásia concentra fatias substanciais dessas carências, abrangendo ao menos um terço dos índices mundiais de privação em nutrição, condições de moradia e escolaridade. No Paquistão, o índice de pobreza multidimensional atingiu 38,3% da população, número superior ao verificado na Índia, com 16,4%, e em Bangladesh, com 14,9%, embora os dados venham de pesquisas domiciliares feitas em períodos distintos. A análise regional também identificou que cerca de 150 milhões de pessoas pobres na região pertencem a núcleos familiares em que ao menos uma criança apta a estudar está fora da escola.
Conforme ressaltou o administrador do PNUD, Alexander De Croo, o avanço desses números precisa servir como um sinal de alerta governamental diante de desafios que se reforçam mutuamente. Segundo o dirigente, a combinação entre fome, evasão escolar forçada e carência de saneamento ou eletricidade perpetua um ciclo de vulnerabilidade que impede famílias de modificarem sua condição socioeconômica.
Fonte: Dawn (Paquistão) · 13/10/2026
