A jurista sul-africana Navi Pillay, recém-anunciada vencedora do Prêmio Nobel da Paz, criticou duramente as sanções impostas pelos Estados Unidos contra o Tribunal Penal Internacional (TPI). Em pronunciamento realizado durante um evento em Oslo, a ex-integrante da corte e ex-alta comissária de direitos humanos da Organização das Nações Unidas afirmou que punições direcionadas a magistrados em razão de suas decisões judiciais são inéditas e geram apreensão generalizada entre os servidores da instituição sediada em Haia.

A reação de Washington ocorreu logo após a premiação de Pillay, com o secretário de Estado Marco Rubio declarando a proibição de transações com o tribunal, ao qual descreveu como desregrado. Em resposta, o TPI repudiou as medidas norte-americanas, classificando-as como um ataque direto ao direito internacional, postura que também motivou condenações por parte de Estados-membros e da ONU.

A concessão do Nobel a Pillay também gerou fortes protestos de governos aliados. Autoridades de Israel e dos Estados Unidos reprovaram publicamente a homenagem à jurista, que chefiou uma comissão de inquérito independente responsável por apontar genocídio em Gaza, conclusão refutada por autoridades israelenses. Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou o comitê de perder o rumo moral, o presidente Donald Trump criticou a escolha e reafirmou cobranças para que países abandonem o tribunal internacional.

Fonte: Dawn (Paquistão) · 10/10/2026