O líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon apontou as políticas econômicas do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como inspiração para recuperar as finanças e dinamizar a economia da França, segundo reportagem do Politico Europe. Mélenchon argumentou que o direcionamento de verbas para áreas sociais e ecológicas na Espanha permitiu o crescimento constante e fez a relação da dívida com o PIB cair abaixo de 100%, enquanto o índice francês atingiu 119%. O Fundo Monetário Internacional projeta avanço de 2,5% no PIB espanhol em 2026, embora o país enfrente descontentamento com o custo de vida e moradia.

Para a França, a campanha de Mélenchon desenhou um pacote emergencial de 82 bilhões de euros para estimular o consumo. As ações incluem a elevação do salário mínimo, reajuste de 10% para servidores públicos, auxílio mensal de 1.337 euros a universitários e negociações coletivas. Conforme detalhado pelo deputado aliado Eric Coquerel, o custeio viria da taxação de 2% sobre fortunas acima de 100 milhões de euros e do teto de 12 milhões de euros para heranças, além de uma controversa proposta de anular dívidas estatais sob custódia do Banco Central Europeu.

A estratégia de expansão orçamentária contrasta com a linha do atual governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que propôs cortes de 43 bilhões de euros para conter o déficit fiscal. Enquanto Mélenchon responsabiliza as reduções de impostos aplicadas por Emmanuel Macron pelo déficit, centros de pesquisa e setores conservadores alertam para o risco de fuga de capitais e sustentam que as estimativas de arrecadação do candidato de esquerda podem estar superdimensionadas.

Fonte: Politico Europe · 14/10/2026