As negociações para a definição do próximo orçamento de sete anos da União Europeia, avaliado em aproximadamente 2 trilhões de euros, enfrentam um momento de paralisia diplomática antes da cúpula de líderes em Bruxelas, segundo o Politico Europe. O debate expõe um racha entre países liderados pela Alemanha, que defendem uma diminuição do orçamento total, e nações como a França, que rejeitam tesouradas nos recursos comuns. Integrantes do Parlamento Europeu afirmam que demoras para alcançar um consenso colocam em risco a competitividade, o financiamento da agricultura e de pesquisas, além da segurança de fronteiras e do ciberespaço.
A apuração do veículo aponta que as fraquezas políticas internas de Emmanuel Macron e Friedrich Merz travam a possibilidade de concessões mútuas. Na França, o presidente em final de mandato evita ceder às exigências de cortes alemães para não municiar a oposição liderada por Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon na corrida sucessória. Paralelamente, Merz enfrenta pressão política na Alemanha após derrotas de seu grupo em disputas regionais contra o partido Alternativa para a Alemanha, mantendo a postura de rejeitar a elevação do volume financeiro repassado a Bruxelas.
Para tentar contornar a rigidez de Berlim, a diplomacia francesa defende a arrecadação por meio de novos recursos próprios da União Europeia, citando como exemplo a criação de taxas sobre apostas pela internet, com o objetivo de estabilizar os aportes nacionais. Autoridades alemãs, entretanto, expressam ceticismo quanto à capacidade dessas medidas gerarem as receitas necessárias, mantendo o impasse entre os dois maiores integrantes do bloco.
Fonte: Politico Europe (Financial Services) · 14/10/2026
