De acordo com declarações concedidas por representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) à AFP e veiculadas pelo jornal Dawn, nações em desenvolvimento de baixa renda enfrentam graves pressões decorrentes de um choque energético associado ao conflito entre Estados Unidos e Irã. A diretora-adjunta de pesquisa da entidade, Petya Koeva Brooks, afirmou durante reuniões em Bangcoc que governos altamente endividados e importadores líquidos de petróleo têm poucas alternativas além de cortar gastos públicos ou buscar a reestruturação ordenada de seus débitos.

Segundo o relatório Perspectivas da Economia Mundial, o encarecimento de combustíveis e fertilizantes tem pressionado de forma desproporcional as populações mais vulneráveis, cuja cesta de consumo depende fortemente desses itens essenciais. Diante da inflação persistente e do elevado endividamento herdado de choques econômicos anteriores, a instituição recomendou a adoção de subsídios estritamente focalizados e a reconstrução de margens fiscais, advertindo que adiar a resolução de passivos insustentáveis eleva os custos futuros das negociações.

O documento também destacou que, apesar da elevação nas estimativas de crescimento econômico global para 2026 impulsionada por investimentos em inteligência artificial nos países desenvolvidos, a expansão ocorre de maneira desigual. Brooks apontou ainda que riscos climáticos ligados a um intenso fenômeno El Niño já afetam os preços de produtos agrícolas, criando vulnerabilidades adicionais para o cenário macroeconômico internacional.

Fonte: Dawn (Paquistão) · 13/10/2026