A China pretende expandir a infraestrutura nacional de centros de dados voltados à inteligência artificial com aportes projetados em cerca de 2 trilhões de yuans (aproximadamente US$ 295 bilhões) ao longo de cinco anos. No entanto, segundo dados do Ministério de Recursos Hídricos da China divulgados em reportagem reproduzida pelo ZeroHedge, o país abriga cerca de 20% da população mundial, mas dispõe de apenas 6% dos recursos globais de água doce, o que impõe entraves físicos ao crescimento do setor digital.
Estimativas da consultoria Rystad Energy apontam que a capacidade instalada dos centros de dados chineses alcançou 32 gigawatts no final de 2025 e pode superar 60 gigawatts até 2030, com o consumo de eletricidade mais que dobrando no período. Além da alta demanda energética, a intensa geração de calor dos servidores de IA exige resfriamento constante à base de água. Um estudo veiculado na revista Applied Energy estimou que as instalações consumiram por volta de 15,7 bilhões de metros cúbicos de água em 2022 — cerca de 2,7% do consumo nacional —, registrando que 72% da capacidade computacional estava situada em áreas de severa escassez hídrica.
A estratégia de Pequim de deslocar novos centros de processamento para províncias do oeste, visando aproveitar recursos eólicos e solares, tem agravado as pressões em localidades áridas como Gansu e Ningxia. Conforme detalhado pela publicação, a destinação hídrica para o setor tecnológico passa a disputar espaço diretamente com a agricultura, segmento que respondeu por cerca de 62% do consumo total de água no país em 2025 e permanece como prioridade estratégica para a segurança alimentar chinesa.
Fonte: ZeroHedge · 15/10/2026
