A proliferação de grandes centros de processamento de dados na região de fronteira entre o Texas e o Novo México ameaça inviabilizar os programas de controle de emissões lançados por governos locais, conforme apuração publicada pela ProPublica. Entre as estruturas em implantação estão o Projeto Júpiter, de responsabilidade da Oracle, e uma unidade de grande porte da Meta Platforms, além de um terceiro empreendimento previsto para uma base militar do Exército norte-americano em El Paso. A construção desses complexos responde ao avanço expressivo da demanda por ferramentas de inteligência artificial, a exemplo de ChatGPT e Claude.
Segundo informações destacadas pela reportagem, a operação plena dessas três unidades, abastecidas por usinas termelétricas próprias, resultará em um volume de gases de efeito estufa correspondente à poluição gerada por mais de dois milhões de veículos por ano. Pesquisadores consultados ressaltaram ainda que os complexos emitirão poluentes atmosféricos diretos, como material particulado e óxidos de nitrogênio, com potencial de degradar a qualidade do ar e prejudicar a saúde de uma população estimada em 1,2 milhão de moradores na região circunvizinha.
A situação evidencia entraves decorrentes da fragmentação regulatória e da falta de uma legislação climática nacional nos Estados Unidos. Enquanto o Novo México formalizou em lei compromissos de corte de poluentes, o Texas adota postura distinta, permitindo que obras vizinhas afetem recursos hídricos comuns e compartilhem a mesma bacia aérea sem coordenação mútua ou poder de veto transfronteiriço.
Fonte: ProPublica · 14/10/2026
