A cotação do euro atingiu o patamar mais baixo frente ao dólar norte-americano em 17 meses, impulsionada por preocupações fiscais centradas na França. Segundo publicação da revista MoneyWeek, a dívida pública francesa chegou a 3,596 trilhões de euros, equivalente a 119% do Produto Interno Bruto nacional. Esse quadro fez com que o rendimento dos títulos públicos franceses com vencimento em dez anos se aproximasse de 5% pela primeira vez desde 2002, pressionando também o índice acionário CAC 40, que acumulou recuo de 6% no intervalo de um mês.

A diferença entre os custos de financiamento dos governos da França e da Alemanha subiu para 1,4 ponto percentual, registrando a maior distância observada desde o período de crise na zona do euro em 2012. O endividamento francês teve incremento superior a 1 trilhão de euros desde o início da presidência de Emmanuel Macron em 2017, e o atual Executivo encontra dificuldades no parlamento e protestos públicos para conseguir aprovar ajustes orçamentários que reduzam o déficit primário do país.

Apesar da deterioração dos indicadores franceses, avaliações da gestora de recursos DWS citadas pelo veículo indicam que o risco de um contágio generalizado para outros países da região é reduzido. A análise pontua que o sistema bancário do bloco está mais capitalizado do que nos anos anteriores e que o Banco Central Europeu dispõe de instrumentos específicos para administrar eventuais instabilidades na dívida soberana.

Fonte: MoneyWeek · 09/10/2026