Uma proposta para amenizar as regras de precificação de carbono gerou divisões profundas no Parlamento Europeu. Segundo relata o Politico Europe, três das principais forças do parlamento — os Socialistas e Democratas, o Renovar a Europa e os Verdes — anunciaram resistência aos planos da Comissão Europeia, insistindo na manutenção de metas rígidas para forçar indústrias pesadas a cortarem emissões de poluentes de forma mais acelerada no âmbito do Sistema de Comércio de Emissões (ETS).
A resistência contrasta com a postura da bancada de centro-direita do Partido Popular Europeu, a mais numerosa da casa, que apoia a moderação dos prazos sugerida pelo Executivo europeu. A principal disputa gira em torno do fator de redução linear que define a velocidade com que as permissões de emissão deixam de circular. Enquanto o bloco centrista e progressista quer zerar o teto até o final da década de 2030, a proposta apoiada pelos conservadores empurra essa marca para a década de 2040, em atenção às demandas de setores como o químico e o metalúrgico.
O impasse coloca em xeque o arranjo tradicional de forças moderadas que historicamente garantiu a aprovação da agenda climática sem apoio de alas mais radicais. Diante da dificuldade de consenso no centro, lideranças conservadoras voltam a cogitar pontes legislativas com partidos de direita e de extrema-direita para viabilizar as reformas regulatórias.
Fonte: Politico Europe · 11/10/2026
