O diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alexander de Croo, advertiu que a sobreposição de sucessivas crises econômicas e geopolíticas ameaça empurrar milhões de cidadãos para a pobreza. Conforme declarações concedidas à AFP e reportadas pelo jornal Dawn durante reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Bangcoc, o encarecimento internacional de combustíveis e os custos elevados de financiamento deixaram governos de nações em desenvolvimento sem espaço orçamentário para subsidiar despesas básicas.

Um levantamento citado pelo chefe da agência estima que cerca de 130 milhões de pessoas correm o risco de cair na miséria caso as altas nos preços de energia e alimentos não contem com amortecimento estatal, com impactos mais severos no sul e leste da Ásia e na África Subsaariana. De acordo com o PNUD, a mediana dos países em desenvolvimento agora consome em torno de 9,5% da receita governamental somente no pagamento de juros da dívida pública, valor mais de três vezes superior ao patamar verificado em economias de alta renda.

Além do aperto orçamentário e do corte no envio de ajuda internacional, a entidade alertou para os efeitos climáticos de um fenômeno El Niño de intensidade sem precedentes, previsto para provocar secas e inundações extremas até o início de 2027. Diante da situação, De Croo defendeu que instituições multilaterais e o capital privado ampliem investimentos para estruturar a resiliência e a geração de empregos nos territórios mais fragilizados.

Fonte: Dawn (Paquistão) · 15/10/2026