O ritmo acelerado de despesas na infraestrutura de inteligência artificial tem levantado preocupações sobre a sustentabilidade desse ciclo de investimentos. De acordo com informações da publicação Kiplinger, a expansão do setor já atinge 2% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos e caminha para 3%, superando o topo registrado durante a crise da internet em 2000, com base em levantamento da firma Apollo. Projeções reunidas pela Bloomberg indicam que os desembolsos de capital de corporações como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft devem atingir 1 trilhão de dólares no próximo ano, após baterem 700 bilhões no ciclo atual.

A reportagem destaca que o modelo da tecnologia exige reposições periódicas de chips caros e outros componentes em intervalos de quatro a seis anos, o que contrasta com infraestruturas industriais tradicionais que perduram por décadas. Ao mesmo tempo, a demanda energética e o desenvolvimento de novos modelos impulsionam despesas elevadas, tornando projetos individuais de centros de dados empreendimentos com custos de dezenas de bilhões de dólares, segundo estimativas atribuídas ao comando da fabricante de processadores Nvidia.

Outro ponto de vulnerabilidade reside na deterioração das reservas financeiras das grandes empresas, que transitam de softwares de alta margem para operações fabris intensivas em capital. Segundo estimativas da S&P Global citadas no artigo, grande parte das companhias terá fluxo de caixa livre negativo no curto prazo, com previsão de recuperação apenas para 2029. Além disso, a Kiplinger aponta que o setor tem recorrido a veículos especiais de financiamento por dívida e compromissos multianuais de centenas de bilhões de dólares, gerando dependência de previsões de demanda de longo prazo que podem não se concretizar.

Fonte: Kiplinger · 14/10/2026